Estamos presos aos nossos hábitos? | Vital Work – Qualidade de Vida no Trabalho e Saúde Ocupacional
Quarta-Feira, 19 de Dezembro de 2018
 

Notícia

Estamos presos aos nossos hábitos?

Ano novo é época de mudanças, a época para tentar mudar os comportamentos errados do ano anterior e buscar melhorar a vida. Não é à tôa que academias são conhecidas por terem um aumento impressionante de matrículas em janeiro, para que dois meses depois a maioria dos novos alunos desistam. Esta inflação no número de alunos, e inclusive a presença de pessoas pagantes, até faz parte do modelo de negócios de várias academias, que contam que uma certa porcentagem de pessoas pague os planos, mas nem apareçam nas academias. Ou seja, o comportamento é tão previsível que pode fazer parte do plano de negócios delas.
 
Por que será que é tão difícil largar velhos hábitos e mudar a rotina? 
 
Em início de ano montamos nossos planos para o que devemos fazer para mudar esses hábitos que queremos evitar, mas na maioria das vezes, resoluções de ano novo não passam da definição de um objetivo: parar de beber, de fumar, emagrecer, etc. Sozinhos, sofremos para fazer as resoluções realidade, mas não precisa ser assim. O que pode ajudar nesses esforços são as próprias empresas, especialmente as que focam na qualidade de vida dos seus funcionários, que com seu próprio planejamento, oferecem opções e incentivos para sair da rotina e planejar o futuro saudável. Porém, antes de tudo, é melhor entender a psicologia das mudanças.

Entendendo o problema

O primeiro passo para se preparar para uma vida mais saudável é admitir o quanto é difícil. Algumas pessoas parecem que nasceram com talento para comer frutas e verduras e evitar o açúcar, outras adoram fazer exercícios, o que torna mais difícil para quem não consegue acompanhar. 
 
Na verdade, a vantagem dessas pessoas podem ser simplesmente por gosto (algumas pessoas simplesmente gostam mais de maçã do que de bolos), mas na maior parte das vezes é porque elas têm hábitos saudáveis há mais tempo, ou seja, essas pessoas não têm que adquirir novos hábitos, basta mantê-los. 
 
Essa é uma das vantagens de se incentivar a alimentação saudável e prática de esporte desde a infância, já que deste modo as crianças crescem vivendo bem e, além de se evitar complicações de saúde na fase adulta, é muito mais fácil ser saudável por elas já estarem acostumadas. Existe um ditado que diz que “macaco velho não aprende truque novo”, pois bem, aprender a comer direito é bem mais difícil quando se está velho.
 
Contudo, isto não deve servir para desincentivo. Pelo contrário, isto quer dizer que, se uma pessoa que leva uma vida sedentária começar a levar uma vida mais saudável, ela também terá só que mantê-la.
O mais difícil é o começo. E não só começar.
 
Um famoso estudo feito em Londres no European Journal of Social Psychology diz que, em média, demora cerca de 10 semanas para que um novo hábito se forme e vire realmente um hábito. Este número não passa de uma média, que depende da pessoa, da atividade que se quer adquirir e vários outros fatores, então se alguém passar dois meses e meio correndo 15 minutos todos os dias e ainda assim sofrer para fazer isso, não quer dizer que ela está quebrada.
 
O mais importante de se aprender por meio deste estudo é que aprender um novo hábito requer tempo e esforço, não importa o que seja. Segundo, errar no meio do caminho não é um problema. Comer um brigadeiro em uma festa de aniversário não é o que vai acabar com os planos da pessoa de parar de comer açúcar. 
 

Como criar hábitos saudáveis

A ação mais importante para criar e manter hábitos saudáveis decorre diretamente do que foi dito acima: perseverar. Criar um novo hábito demanda tempo e esforço até que ele se misture de maneira homogênea no cotidiano, então não adianta achar que semana que vem só estará comendo granola de sobremesa.
 
Contudo, existem maneiras de se encarar essa fase que facilitam para que o hábito se fixe mais rápido e incentivam a continuar:
 
  • Defina bem e entenda o hábito que está sendo criado já que hábitos diferentes demandam esforços e tempos diferentes. Beber um copo de água junto com o almoço é muito mais fácil de fazer do que correr 10km por dia.
  • Escolha um hábito que combine com você e que realmente vá melhorar sua vida para melhor. Uma pessoa que sofre de diabetes se beneficiaria muito mais de uma alimentação sem açúcar do que uma que sofre de hipoglicemia.
  • Primeiro defina seus objetivos, depois escolha os melhores hábitos e ações para alcançá-los. Existem diferentes tipos de alimentação saudável, cada uma com um foco diferente: aumentar massa muscular, perder peso, evitar alergias, etc. 
  • Objetivos grandiosos são bons para nos dizer aonde queremos ir, mas são péssimos para formar um hábito. Se logo no começo uma pessoa tentar correr uma maratona, ela não vai conseguir mesmo, e por isso se sente deprimida imaginando as dezenas de quilômetros que ainda tem pela frente. Deixe os 42km da maratona para depois. Veja seu progresso de quilômetro em quilômetro, e lembre-se de comemorar cada quilômetro ganho.
  • Do mesmo modo, quebre as atividades em pequenos passos, mais fáceis de entender e realizar. O nosso cérebro entende cada pequeno passo como uma vitória, o que torna mais fácil digerir as grandes tarefas a serem realizadas.
  • Pare de procrastinar. Cada um sabe o que mais os faz perder tempo e evitar pôr a mão na massa.
  • Crie consequências para desvios do plano. Por exemplo, “se eu comer chocolate não vou poder assistir meu programa de televisão favorito. ”
  • Evite as tentações. Se quiser parar de fumar, não visite uma tabacaria.
  • Hábitos saudáveis incluem não só comer bem e fazer exercícios. Aprender coisas novas, ou adquirir um novo hobby, por exemplo, também são positivos. Este tipo de atividade prazerosa é ótimo para a saúde mental e combate ao estresse. Passar mais tempo com a família pode ser um hábito saudável.
  • E, nos casos dos pais, aproveitem que crianças são muito mais moldáveis, ensinem desde pequenos como comer bem e incentivem a prática de esportes. No começo elas podem reclamar um pouco, mas o sofrimento delas no futuro com certeza será bem menor.
 

Como as empresas podem ajudar

Como muitas pessoas passam grande parte do dia no trabalho, as empresas influenciam muito na vida dos seus empregados, e neste caso, elas podem usar este incentivo para ajuda-las a levar uma vida melhor. A ideia de um programa de wellness, falado em um artigo anterior aqui mesmo, ajudaria nesse sentido já que a própria empresa forneceria para seus empregados todo o suporte necessário para que eles comecem a ter hábitos saudáveis.
  • O primeiro passo seria a conscientização, não só da importância de se ter hábitos saudáveis, mas ensinando como criá-los e mantê-los.
  • A empresa tem mais recursos para realizar um bom planejamento para as atividades de saúde, o que facilita para os colaboradores que não tem que perder muito tempo fazendo um planejamento deles.
  • Ações de qualidade de vida voltadas para exame e diagnóstico auxiliam na definição dos objetivos a serem alcançados. Um funcionário que se descobre está com sobrepeso sabe que precisa de mais exercícios.
  • O apoio dos colegas, que estão todos trabalhando junto em busca de bem-estar ajuda na criação dos hábitos. Um incentiva o outro, e esse empurrão pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso, afinal somos animais sociais.
  • Os benefícios que a empresa oferece também podem servir de incentivo para adquirir esses hábitos.
 
Enfim, como estamos nesta época de ano novo, é bom olharmos para o futuro e definirmos quais serão as ações que realmente faremos para mudar as vidas para melhor. E temos que começar a agir agora. Nada de deixar para o ano que vem.
 
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