Como Implementar um Programa de Qualidade de Vida? | Vital Work – Qualidade de Vida no Trabalho e Saúde Ocupacional
Quarta-Feira, 19 de Dezembro de 2018
 

Notícia

Como Implementar um Programa de Qualidade de Vida?

Em época de crise, como a que o Brasil vive hoje, é normal que sentimentos de ansiedade acabem se espalhando pelas pessoas. O mal-estar pelo medo de perder o emprego, por exemplo, é uma das causas, o que é disseminado pelos maiores índices de desemprego reportados nos jornais. Estes sentimentos podem acabar se tornando problemas reais pois gera colaboradores desmotivados, criando um ciclo vicioso envolvendo menor produtividade e menor competitividade para as empresas.
 
Entre diversas medidas gerenciais que podem ser usadas para elevar a satisfação e bem-estar do funcionário, existem as de qualidade de vida que ajudam a mostrar aos colaboradores a sua importância. Apesar de parecer simples a implementação deste tipo de programa, mas para que dê certo e realmente traga resultados positivos, é essencial o bom planejamento. E agora que o ano está acabando, é uma boa hora de começar a se pensar no futuro.
 

O Planejamento da Qualidade de Vida

Os chamados de Wellness Programs ainda estão em desenvolvimento aqui no Brasil. Definidos como “programas que buscam melhorar e promover a saúde e a boa forma que é geralmente oferecido pelo local de trabalho [...]” este tipo de projeto permite uma integração entre os diversos aspectos que envolvem a saúde e bem-estar do funcionário, desde saúde física, até mental. Ainda se diz: “o programa permite ao trabalhador ou plano de saúde oferecer descontos, prêmios em dinheiro, afiliação com academias, e outros incentivos para participação. Exemplos de Wellnes Programs incluem programas de combate ao tabagismo, diabetes, perda de peso e exames preventivos de saúde”. 
 
Ou seja, trata-se de um programa completo de incentivo à vida saudável. Mesmo assim, aqui no Brasil, a primeira ideia que surge ao se falar em qualidade de vida no trabalho é ginástica laboral ou sessões de massagem. Ainda que essas ações terapêuticas sejam ser benéficas para o bem-estar dos funcionários, elas não englobam a totalidade de um programa. Nem mesmo outras ações, por si só, como uma palestra por ano ou uma sessão de corrida, bastam para dizer que existe um programa robusto de qualidade de vida em uma organização. Para realmente haver um programa de qualidade de vida é preciso que a empresa como um todo esteja organizada de modo a permitir o sucesso do programa.
 
Por isso, é preciso que a organização tenha sucesso nos seguintes âmbitos para se ter uma implementação de um programa completo de qualidade de vida que seja viável, efetivo e eficaz:
  1. Definição de responsabilidades: antes que as ações sejam tomadas é preciso definir quem cuidará do quê, para que o programa possa ser implementado sem problemas e que os resultados possam ser avaliados e, caso necessário, sejam feitas correções.
  2. Mudanças na cultura organizacional: diversas ações precisam ser tomadas em conjunto, e elas acabam sendo consequência de mudanças na própria cultura da empresa. E, para que esforços neste sentido tenham sucesso é preciso que o modelo de gestão organizacional incentive a conciliação entre o bem-estar dos colaboradores, o desempenho da empresa e a missão da instituição. 
  3. Visibilidade na comunicação institucional: infelizmente, não são raras as situações em que a empresa se dispôs a fornecer um serviço ou atendimento terapêutico para os funcionários, ou mesmo a apresentação de uma palestra, mas que teve baixo índice de atendimento simplesmente porque os funcionários, não sabiam que o evento iria ocorrer.
  4. Conscientização: os trabalhadores precisam querer participar de qualquer programa de qualidade de vida para que ele funcione. A parte educacional, como serviços de nutrição, são valiosos nestes esforços.
  5. Gestão organizacional que releva produtividade e bem-estar: cabe à gestão criar um ambiente de trabalho que estime o bem-estar de seus funcionários, através da motivação e satisfação profissional.
  6. KPI’s que relevam pontos de qualidade de vida: indicadores de desempenho devem também relevar a satisfação profissional e o bem-estar, para facilitar a gestão da qualidade de vida e para que estes pontos sejam prezados pela empresa.
  7. Gestão do trabalho e prevenção de riscos: aqui cabe a parte da ergonomia e segurança do trabalho para garantir que as tarefas do cotidiano não afetem negativamente a saúde do trabalhador.
  8. Suporte organizacional: o papel do RH, ou mesmo de outros setores, de oferecer suporte aos trabalhadores em casos de problemas ou dúvidas quanto à determinada ação entra aqui.
  9. Parcerias e ações de qualidade de vida fora do trabalho: parcerias com outras organizações que oferecem benefícios, como academias, ou mesmo extensões para áreas fora da empresa, como família ou de ações com a comunidade ajudam expandir sobre o tema da qualidade de vida para além das portas da empresa.
Mesmo pequenas mudanças na qualidade de vida não precisam de grandes investimentos, bastando a boa vontade e comprometimento por parte dos integrantes da empresa, seja funcionários, seja alta gestão. Atitudes como trocar os alimentos oferecidos na sala de café, de doces para biscoitos integrais, incentivo à vacinação, etc., já demonstram uma mudança na direção da cultura da empresa.
 

Tendências

Muitas empresas historicamente optam por terceirizar os serviços de apoio para suas tarefas do dia-a-dia já que não fazem parte do negócio principal da empresa, como a área contábil, jurídica, ou mesmo de atendimento ao cliente e telemarketing. Já é conhecida a imagem das salas enormes cheias de atendentes com fones de ouvido lidando com inúmeras ligações. A grande vantagem deste tipo de estratégia está na concentração de pontos fortes, nas quais cada empresa foca em sua própria especialidade, o que permite um atendimento melhor, maior facilidade na gestão e redução de custos.
 
Dentro desta mesma ideia, só que aplicada ao mundo tecnológico de hoje, as empresas estão usando aplicações para auxiliar na gestão da empresa. Além dos sistemas tipo SAP mais complexos, existem hoje vários aplicativos para CRM (Customer Relationship Management), RH, controle financeiro, etc. Inúmeras start-ups viram aí um grande mercado para crescimento ao permitirem que empresas, sejam grandes ou pequenas, possam focar nos seus negócios centrais ao facilitar a gestão de atividades de apoio por um baixo custo.
 
Esta tendência também está surgindo na qualidade de vida, em que pode facilitar no acompanhamento da evolução dos funcionários quanto à realização de atitudes saudáveis. Nos EUA já existem diversos programas que focam na simplificação da qualidade de vida para os funcionários e que oferecem diversos benefícios como incentivo, desde prêmios até dinheiro, originário de uma porcentagem da redução dos custos com planos de saúde pela realização de atividades saudáveis.
 

Por quê implementar a qualidade de vida?

Estudos realizados para levantar os resultados provenientes de investimentos com qualidade de vida trouxeram resultados positivos. Um famoso artigo da Harvard Business Review diz, simplesmente, que “empregados saudáveis custam menos”. Além disso, o artigo enumera exemplos de investimentos em qualidade de vida que resultaram em custos menores do que a economia em gastos com saúde.

Ou seja, programas de qualidade de vida podem ser positivos para a organização e suas pessoas. A necessidade de mudança na cultura da organização para que esses programas funcionem pode ser resumida para um ponto fundamental da gestão: o investimento em qualidade de vida é uma consequência da gestão baseada em pessoas, não tarefas.

Na gestão baseada em tarefas, a organização vê o funcionário simplesmente como uma ferramenta para realizar uma determinada tarefa dentro das inúmeras da empresa. Este é o tipo de mentalidade que troca pessoas por máquinas ou aumenta muito a contratação e demissão dos funcionários, já que não importa quem realiza a tarefa, desde que alguém à faça. Na gestão por pessoas, foca-se nas qualidades do indivíduo, buscando ajuda-lo a atingir todo o seu potencial. A valorização das pessoas, de vê-las como mais do que uma só tarefa, permite que elas cresçam e utilizem as novas experiências para pensar e criar soluções que antes não eram imaginadas, e assim cresce muito a competitividade da empresa. Com essa visão, os trabalhadores se sentem mais realizados com o trabalho pois veem o impacto que estão tendo no mundo.

E é esse tipo de mudança que programas de qualidade de vida visam criar.

Referências:

  • https://www.healthcare.gov/glossary/wellness-programs/
  • http://www.inc.com/guides/2010/05/wellness-program.html
  • https://www.dol.gov/ebsa/pdf/workplacewellnessstudyfinal.pdf
  • Departamento de Psicologia Social e do Trabalho – PST da Universidade de Brasília
  • BERRY, Leonard L. et. al. - What’s the hard return on employee wellness programs? – Harvard Business Review – Dez. 2010
 
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