Revista Profissional&Negócios - Foco em Saúde e Qualidade de Vida | Vital Work – Qualidade de Vida no Trabalho e Saúde Ocupacional
Quarta-Feira, 19 de Dezembro de 2018
 

Notícia

Revista Profissional&Negócios - Foco em Saúde e Qualidade de Vida

Como investir nesses programas pode reduzir custos e gerar produtividade

 
No Brasil são gastos anualmente mais de R$800 milhões com auxilio-doenças e aposentadorias precoces, conforme dados da Previdência Social. Segundo Valquíria de Lima, diretora técnica da Supporte Saúde, as doenças ocupacionais tornaram-se um problema de saúde pública para a maioria dos países industrializados. E essa questão causa um enorme impacto na saúde e qualidade de vida da população trabalhadora, além de repercutir negativamente na produtividade das empresas e no desenvolvimento socioeconômico do país.
 
Beatriz Pereira, gerente ocupacional, e Elisiane Aresi, gerente de health, ambas da Bencorp, dizem que a regulamentação de ações relacionadas à saúde do trabalhador, por meio de normas específicas, impulsionou crescimento acelerado do setor, a visão do processo de adoecimento do trabalhador, associado a múltiplos fatores, foi uma mudança cultural fundamental para o desenvolvimento de um leque de ações voltadas a prevenção e promoção da saúde. Contudo, ainda existe um longo caminho a ser percorrido para que a prática dessas ações esteja presente de forma efetiva no dia a dia das empresas.
 
Rachel dos Santos Moreira, gerente Comercial e de Marketing de Axismed, considera a saúde ocupacional um “tesouro” não explorado. De acordo com ela, quando se fala em saúde, uma das maiores riquezas é a informação, e a saúde ocupacional a detém. Ela diz que o tema é tratado como um simples cumprimento de uma “cansativa obrigação”. “Quando classificamos um profissional como “apto”, não devemos esquecer o impacto de saúde desse indivíduo nos custos diretos (utilização do benefício saúde) e indiretos (afastamento r produtividade) da organização”, diz.
 
E é preciso ir além do cumprimento das normas. De acordo com Rachel, as soluções de saúde ocupacional, integradas a ações de promoção da saúde e prevenção de doenças, são fundamentais para a redução dos custos de uma organização. Ela explica que o papel dos diversos personagens envolvidos no cenário da gestão de saúde mudou nos últimos anos. A organização, que antes era personagem exclusivamente pegador, passa a se posicionar como gestor ativo do risco de saúde e dos custos assistenciais, e o individuo, antes “passivo”, torna-se personagem essencial no cumprimento da conduta clínica. Frente a isso, também há uma aproximação da empresa com colaboradores de dependentes (vinculados ao beneficio saúde) a fim de conhecer o risco de saúde das pessoas e suas principais demandas. Assim a organização pode atuar individualmente, entregando recurso mais adequado e obtendo resultados populacionais (aumento da satisfação e redução dos custo diretos e indiretos). “Esse novo cenário amplia o papel da saúde ocupacional como detentora de informações importantes” diz.
 
Segundo Luciana Lauretti, sócia da AzimuteMed, o alto custo da saúde é o maior desafio do setor, que precisa se reinventar, investir em tecnologia, humanizar o atendimento e melhorar a qualidade do serviço. “O país está em crise, e as empresas ainda não enxergam a saúde do colaborados como um importante investimento”, ressalta.
Valquíria comenta também que a baixa percepção de valor dos serviços de saúde pelas empresas é outro fator que impede melhor remuneração dos profissionais que atuam na área, fazendo com que o nível da mão de obra não atinja o estado de excelência que esses programas merecem para que se obtenha mais efetividade e melhor geração e resultados.
Outro aspecto também importante é a falta de metodologias para o fornecimento de um serviço de qualidade que possa, sobretudo, ter resultados mensurados. “A falta de controle sobre variáveis relacionadas aos programas no local de trabalho acaba desmotivando a continuidade desses programas, já que muitas empresas não veem resultados que justifiquem a manutenção do investimento”, comenta a diretora.
 
Rachel explica que o contato das campanhas de saúde ocupacional com as empresas ainda fica em torno de modelos de aquisição de serviços de saúde semelhantes a aquisição de artigos de uso. No entanto, ela diz que a construção de uma solução efetiva de saúde demanda aprofundamento maior nas discussões. “Precisamos conhecer o cliente, suas necessidades, objetivos e características (cultura e particularidades da organização). A ausencia de informação impacta diretamente na construção de uma solução específica, que faça sentido para todos os personagens envolvidos.
 
Ela comenta ainda que, ao contratar um serviço de saúde, as empresas definem indicadores e apenas os utilizam para confirmar se “deu certo” ou “não deu certo”. Nesse modelo as ações de gestão de saúde são colocadas em “cápsulas”, mantidas à margem da organização, e logo deixam de fazer sentido, pois não estão integradas ao seu dia a dia.
 
“As ações de gestão de saúde precisam ter DNA da organização, sofrendo impacto constante da estratégia da alta direção, mercado e equipe. Quando tratamos de gestão de saúde, ainda presenciamos ações holísticas e poucos absolutas. Toda estratégia de gestão de saúde deve ter sua entrega de recursos norteada pelo risco da população, e os objetivos precisam ser claros para definição de indicadores efetivos. Acreditamos que só valo a pena ser feito se for medido”, comenta Rachel.
 
Além disso, a gerente da Axismed comenta que a cogestão é fundamental como modelo de relacionamento entre o prestador e o contratante. O prestador deve ser envolvido, possibilitando a implantação de ações que refletem a identidade da empresa. Os recursos mais caros devem ser entregues somente à população com maior risco de saúde. A população crônica necessita de ações constantes que a tornem gestora da sua própria saúde. E ainda é necessário um plano de marketing permanente para mudança cultural no que se refere a utilização de benefício de saúde e hábitos. “As ações precisam ser individuais, gerando resultados populacionais. Os impactos da gestão de saúde são percebidos quando suas ações são massificadas. Quando á saúde ocupacional, sua integração às ações de gestão de saúde é uma necessidade real.”
 
Beatriz e Elisiane comentam também que o outro ponto relevante é a importancia da comunicação entre as diversas áreas da empresa e prestadores de serviço. Elas dizem que, no dia a dia, se deparam com assuntos comuns sendo tratados de forma separada por áreas distintas da empresa – por exemplo, a TST lutando pela redução de absenteísmo. “A falta de união de forças tente a prejudicar a visão gerencial para o direcionamento de recursos como investimentos, e não como custo. Em nossa proposta de trabalho, há o envolvimento de todas essas áreas para definição do processo e estruturação das ações, pois cada área detém informações detalhadas de suas respectivas competência s, e, quando conectadas, mostram o caminho a ser seguido com maior clareza.”
 
Elas relatam ainda que, na maioria das vezes, percebem que as solicitações chegam até elas de forma superficial, e, ao emergirem na demanda, frequentemente identificam que a necessidade exposta é apenas a “ponta do iceberg”.
 
Para Luciana, a área de RH não tem conhecimento sobre a importância da saúde de seus colaboradores. Está restrita a contratar um plano de saúde e não conhece o perfil de seus colaboradores com detalhes. E pior, são esses dados, por exemplo, que ajudam a escolher o plano de saúde mais adequado, além de contribuir para a empresa desenvolver ações focadas em promoção da saúde.

GESTÃO ESTRATÉGICA

“A integração das informações de saúde nas empresas tornam-se a melhor estratégia de aproveitamento dos benefícios”, dizem Beatriz e Elisiane. De acordo com elas, a gestão integrada possibilita o alcance de resultados mais eficazes, desde financeiros até o clima organizacional. Ações como o mapeamento do cenário atual, definição claro de metas e gestão da informação são grandes aliadas para a prestação de serviço de qualidade.
 
Como tendência, Luciana comenta que empresas, corretoras, operadoras de planos de saúde e indústria farmacêutica procuram cada vez mais programas personalizados de saúde, que das populações e otimização do investimento das empresas.
 
“A busca por esse tipo de serviço tem se mostrado necessária, já que os pagadores têm percebido que não vale só disponibilizar um medicamento ou uma rede, é necessário conscientizar o paciente sobre o tratamento, sobretudo a adesão”, comenta a sócia da AzimuteMed.
 
Luciana também reconhece que as empresas que investem em saúde fazem somente campanhas pontuais e emergenciais. Mas é preciso ir além e gerir a saúde de cada colaborador de maneira personalizada, informando, orientando e monitorando. “O primeiro passo é conscientizar o colaborador de que ele é o único responsável pela sua saúde. Esse trabalho de informação e orientação pode ser feito com palestras. O próximo ponto é identificar o perfil de cada funcionário. Um questionário online ajuda a mapear a equipe. Após o mapeamento, ações são traçadas para atender a população, por exemplo, sugerimos melhorias na alimentação, com mudanças simples no dia a dia. Nos programas personalizados, monitoramos os doentes crônicos, proporcionando adesão ao tratamento, orientando sobre os cuidados e prevenção, contribuindo para a estabilidade da saúde”, diz.
 
Para que o aproveitamento dos benefícios seja satisfatório, Valquíria diz que é necessário ter um controle absoluto sobre a evolução das ações. “Demonstrar a evolução das ações ao cliente por meio de software apropriado trás agilidade e permite correções para adequação da proposta de trabalho, umas vez que é possível acompanhar diversos indicadores praticamente em tempo real. Já existem empresas especializadas disponibilizando, com sucesso, essa ferramenta aos clientes que desejam melhor acompanhamento dos programas corporativos de saúde e qualidade de vida.”
 
O direto de negócios e marketing da Vital Work, Jean Felipe Kalil Makdissi, afirma que há uma série de fatores que impedem as empresas de usar os serviços de qualidade de vida de forma estratégica. E destaca que as áreas responsáveis por essas ações na empresa (Segurança do Trabalho, Recursos Humanos e Saúde ocupacional) não trabalham de forma integrada. “Por ser uma área nova na empresa, são poucos os profissionais que realmente têm formação para gerenciar de forma estratégica a área.”
 
Ele diz que é preciso traçar uma metodologia de trabalho focada na gestão de qualidade de vida, posteriormente mapear e perfil da sua população, para traçar ações especificas de saúde, e segmentar a atenção em três grupos – preventivos grupos de risco e grupos crônicos. As ações podem ser assim divididas:
  • Mapeamento de saúde: por meio de questionários e exames rápidos.
  • Terapêuticos: ambulatórios de nutrição, espaços de descompressão com massagem e acupuntura, quiropraxia, para tratamento de dores da coluna, entre outras terapias.
  • Ações em grupo:  terapias do riso, yoga, ginástica e exercícios chineses no trabalho, grupos de corrida e caminhada, pilates para fortalecimento dos músculos acometidos no trabalho.
  • Educacionais: escolas da coluna, para grupos crônicos com doenças da coluna, palestras teatralizadas e lúdicas sobre qualidade de vida, coaching com foco em atividade física e alimentação saudável.
Rodrigo Strickland Faro, diretor do Vigilantes do Peso, comenta que a visão está mudando. Antigamente falava-se em gestão de crônicos, diabetes e redução de peso como iniciativas independentes. Mas as pessoas não vivem suas vidas dessa forma. Segundo ele, peso é uma parte de equação; sentir-se bem consigo mesmo, ter uma vida mais ativa, mais energia, por exemplo, são variáveis tão importantes quanto. “É necessário que os serviços e produtos sejam direcionados para a criação de uma população mais saudável e ativa, e não somente para gestão de pessoas já em situação mais grave.”
 
Faro comenta também que os resultados de um programa de saúde bem elaborado e bem feito deveriam repercutir por toda a empresa, mas hoje ainda se limitam ao grupo atingido. Nesse sentido, ele aconselha ampliar os efeitos para toda a população, com a distribuição de conteúdo, informações e casos de sucesso. Os próprios diretores devem participar e espalhar os resultados por todos.
 
E para finalizar, não pode faltar o comprometimento da diretoria em qualquer ação de saúde e qualidade de vida. Faro comenta que, sem isso, o sucesso será sempre limitado. “Sempre recomendamos que algum diretor ou mesmo o CEO da empresa apadrinhe o programa. Assim, na hora que os gerentes devem liberar suas equipes para participar de palestras ou programas de saúde, não haverá o boicote da iniciativa”, conclui. 
 
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