Saúde Mental em Época de Crise | Vital Work – Qualidade de Vida no Trabalho e Saúde Ocupacional
Quarta-Feira, 17 de Outubro de 2018
 

Notícia

Saúde Mental em Época de Crise

O povo brasileiro é considerado um dos países mais felizes. Somos conhecidos mundo afora pela alegria, festa, samba e Carnaval e pela cordialidade na recepção dos estrangeiros. Agora, pergunte a um brasileiro como ele está se sentindo devido à situação atual do país e a resposta provavelmente não será positiva.
 
Desde o final de 2014 o país se encontra dentro de uma crise política e econômica, uma das maiores em sua história recente. Divisões políticas envolvem a conversa das pessoas, notícias de inflação, isto acaba minando a energia das pessoas e este constante estado de adrenalina tem um efeito negativo no corpo e na mente um nome:
 
Estresse
O termo estresse vem da física e representa o desgaste e as tensões que afetam um material. Quando afeta as pessoas não é muito diferente. O que ocorre é um desgaste lento, que afeta o bem-estar mental e se torna cada vez mais danoso para a saúde de quem sofre com ele.
 
O estresse é uma resposta natural do corpo a perigos no ambiente. Com ele a adrenalina aumenta, os batimentos cardíacos aceleram e o sistema imunológico é estimulado, efeitos necessários se nossas vidas estiverem em perigo eminente. Os danos ao corpo surgem quando o estado de estresse passa a ser contínuo.
 
No mundo atual, ao invés de termos que nos defender de ataques selvagens, os problemas são falta de dinheiro, responsabilidades, pressões da sociedade, mas a resposta do corpo é a mesma. Ao não conseguirmos resolver um problema do trabalho, ou ainda quando vemos a situação do país piorar, o estresse se acumula, causando angústia e depressão. Por isso é comum o aumento de casos de estresse em épocas de crise.
Crise e o Estresse
Um dos maiores causadores do medo e estresse é o desemprego. Dados apontam que o desemprego ficou em 10,9% no primeiro trimestre de 2016, o que representa cerca de 10,4 milhões de pessoas em números absolutos, a maior taxa da série histórica do IBGE que começou em 2012. Ou seja, temos o a soma do estresse de quem procura emprego com quem está empregado mas teme ser logo cortado já que vê seus colegas indo embora. Mesmo sem saber se uma decisão dessas o afetará ele sente a corda no pescoço. 
 
A preocupação também não para aí, pois dados afirmam também que o rendimento médio do trabalhador neste ano diminuiu com relação a 2015. Tudo isso resulta em um péssimo clima organizacional, com aumento da competitividade, e até mesmo sobrecarga de trabalho, já que os colaboradores têm agora que suprir o trabalho dos colegas que se foram.
 
As perspectivas não parecem boas.
 
Ciclo Vicioso
Uma situação dessas gera dois ciclos viciosos:
  • O primeiro envolve a economia: Menos produção gera menos emprego, que gera menos renda, que desestimula o consumo, o que por fim obriga as empresas a produzir menos. Algo natural em uma crise.
  • O segundo a saúde mental dos trabalhadores: preocupados com a sua situação de emprego, ficam estressados. O estresse afeta sua produtividade, o que pode acarretar em maiores dificuldades para a empresa e aumenta a insegurança do trabalhador quanto seu valor na organização, o que aumenta o estresse. E assim o ciclo se fecha.
O papel das organizações está em agir para interromper esse ciclo.
Combatendo o estresse
Resolver o estresse não é nada fácil. Não basta falar “pare de se preocupar” ou ainda “sai dessa” que o problema está resolvido. Mesmo assim, do mesmo modo que muitos outros distúrbios mentais, bastante danosos à vida de quem é afetado, quem sofre de estresse grave ainda tem que aguentar a falta de apoio e o preconceito ao invés de receber o apoio e suporte que precisam e merecem.
 
No caso das organizações, envolve a manutenção de uma cultura voltada para a transparência e de valorização de seus colaboradores. Saber que não se está sozinho na hora de enfrentar estes problemas já é por si só um grande passo no caminho certo.
 
O próximo fator fundamental para o combate ao estresse é a informação. Muitos nem percebem que estão sendo afetados por este problema, e isto é um perigo. Isto pode ser corrigido de diversas maneiras: palestras, avisos, conversas e avisos aos funcionários, é tudo válido e ainda ajuda na criação da cultura de bem-estar.
 
Mas nada disso será muito eficiente se antes da implementação do programa não houver um conhecimento dos problemas que afetam o corpo de trabalhadores. Saber quais são as maiores causas de estresse das pessoas, seja a crise ou qualquer outra razão, permite atacar os problemas com maior precisão.
 
Por fim, ações de qualidade de vida tendem a ter um efeito bastante positivo para evitar o estresse. Como são atividades voltadas ao relaxamento, costumam ter um efeito rápido no alívio do estresse mental. E, mais importante ainda, mostram aos trabalhadores que as empresas se importam com eles, o que produz um efeito psicológico positivo.
 
Como dito anterioremente, o objetivo é sair dos dois ciclos mencionados acima, e sair da crise só será possível com trabalhadores capazes.
 
Depois da tempestade
Não é preciso ser um perfeito otimista ou ser um lunático para acreditar que a situação irá melhorar. Crises acontecem, mas elas passam. Este fenômeno até tem um nome na economia: Ciclo Econômico. Assim como a crise chega, de acordo com alguns, inevitavelmente, ela também irá passar e voltaremos a um período de prosperidade, que durará até a próxima crise.
 
Quer dizer que estamos fadados a sofrer? De certa maneira sim. Mas um sofrimento que tende a ser cada vez menor. Graças à melhoria da qualidade no mundo vindo de avanços tecnológicos, melhoria na educação, produtividade, e até mesmo no modo de viver, com mais respeito, acabamos sofrendo sim, mas menos do que no passado. 
 
Assim, cabe às empresas incentivar seus funcionários a levar uma boa vida, e isso não envolve somente distribuir bônus para todos em épocas de vacas gordas, mas dar todo o apoio necessário para que organização e funcionário passem com dignidade quando vierem as vacas magras.
Referências:
  • http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/04/desemprego-fica-em-109-no-1-trimestre-de-2016.html
  • http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2016/04/desemprego-no-brasil-chega-maior-taxa-da-serie-historica-do-ibge.html
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